Aviões da Delta na pandemia: 550 aviões estão sendo “despertados”

Por Noticia de Viagem

Quando o gerente do Programa de Operações de Fornecedores, Rusty Foster, reflete sobre o enorme empreendimento multifuncional de armazenar mais de 550 aviões da Delta aterrados por causa da pandemia de COVID-19, ele pensa no lema segundo o qual viveu sua equipe de construção na Reserva da Marinha: “O difícil fazemos na hora. O impossível demora um pouco mais”.

Aviões da Delta na pandemia

Quando Rusty foi chamado à ação pela primeira vez, era março de 2020 e a pandemia avançava com força total. A demanda de clientes diminuía e a inquietação se instalou à medida em que os voos decolavam com cada vez menos passageiros.

Rusty teve um dia de folga e estava se preparando para voltar para Jacksonville, na Flórida, onde realizava pesadas verificações de manutenção nas aeronaves. Um de seus líderes lhe telefonou e perguntou se ele poderia ir para Blytheville, Arkansas, para começar a estacionar parte da frota da Delta.

A pandemia já se delineava: uma longa viagem até o Aeroporto Internacional de Memphis, um voo cancelado e, depois de outra viagem de carro com duração de oito horas, Rusty finalmente estava em Blytheville.

Assista ao vídeo em inglês sobre como o pessoal da Delta trabalhou para estacionar, guardar e reativar a frota durante a pandemia aqui.

ESTACIONANDO A FROTA

“Naquele dia, eles começaram a voar em MD-88s. Foi como observar o horizonte de Atlanta à noite, quando você pode ver os aviões padrão voando, um após o outro”, disse Rusty.

No primeiro dia, então, eles estacionaram 14 aviões. No dia seguinte, mais 14.

Ao longo de 2020, Rusty trabalhou em Blytheville; na Cidade do Kansas; em Marana, no Arizona; e em Birmingham, no Alabama. No auge da pandemia, foram estacionadas 571 aeronaves da linha principal em todo o país. Cada local tinha seus próprios desafios, fosse a umidade em Birmingham ou as criaturas do deserto e o calor extremo em Marana.

Um trabalho tão grande exigiria um toque experiente. E é aí que entra Bob Warde. Ele trabalhou 10 anos estocando aviões MD-88 e MD-90 em Blytheville, alguns para o fornecimento de peças, alguns para um eventual retorno ao serviço.

Seu antigo chefe ligou e perguntou: “Você está disposto a ir a Birmingham para ajudar a estacionar a frota?”. “E eu estava tipo, como assim?” disse Bob, que é inspetor líder de Pré-Voo no Aeroporto Internacional de Cincinnati-Kentucky do Norte (CVG). “Ele disse: ‘Sim, vamos estacionar até 600 aviões o mais rápido possível’”.

Imediatamente, Bob assumiu a liderança do programa em Birmingham. Conforme os aviões chegavam a cada hora, os obstáculos começaram a surgir. Primeiro, eles ficaram sem os calços colocados nas rodas para manter as aeronaves no lugar. A equipe correu e comprou blocos de madeira do tipo pallet de 6 por 6 de para fazer peças de reposição a mão.

“Um dos maiores desafios era simplesmente encontrar instalações que pudessem receber as aeronaves”, disse o gerente geral de Operações de Fornecedores, Ted Lamoureux.

Em São Bernardino, na Califórnia, uma área designada como estacionamento não era viável depois que um 757 começou a afundar no chão. As pistas fechadas na Cidade do Kansas e em Victorville, na Califórnia, eram apenas temporárias; eventualmente, os aviões teriam de se mover novamente.

Em outro lugar, a questão era entender quanto espaço estava realmente disponível. Se alguém disse que uma instalação poderia receber 100 aeronaves, isso significaria 100 jatos regionais?

“Fomos estratégicos sobre onde estacionaríamos os aviões, baseando-nos no que será uma ativação rápida, o que será um aeroporto mais fácil para as tripulações e o que ficará estacionado a longo prazo”, contou Ted.

A equipe também estava pensando no trabalho necessário para preservar cuidadosamente os motores. Eles tinham de se certificar de que havia espaço suficiente para mover, circular e girar diferentes partes das aeronaves como parte do programa de armazenamento.

ARMAZENANDO A FROTA

“Estacionar um avião não é como estacionar um carro. Você não pode simplesmente largar as chaves e ir embora”, comparou o gerente do Programa de Operações de Fornecedores, Tom Schuhardt.

Tom foi apenas um dos funcionários de todas as áreas de TechOps (Operações Técnicas) que ingressaram na operação, independentemente de qual fosse sua atribuição atual. Ele era instrutor, mas quando a companhia aérea precisou de suporte para estacionar aviões, muitos funcionários assumiram funções diferentes.

“Nosso trabalho usual era ensinar e dar aulas. Mas somos todos técnicos e especialistas em nossa frota”, explicou Tom. “Sabemos como funcionam os sistemas; temos uma visão de raio x de nossa frota, é algo que sabemos como consertar”.

Assim que cada avião pousou, uma contagem regressiva começou em um cronograma de manutenção meticuloso. Sete dias; 14 dias;30; 60; 100; 180.

“Quando há 90 aviões estacionados no solo, a manutenção é astronômica quando você soma tudo”, disse Bob. “Então nós tínhamos de planejar. Tentamos distribuir a carga de trabalho ao longo do tempo e colocar os aviões em uma rotação de revisão”.

Foi quando os engenheiros da Delta entraram na equação, desenvolvendo “cartões de trabalho” flexíveis que garantiram que as aeronaves recebessem a manutenção necessária, especialmente adaptada às condições climáticas do lugar onde estavam estacionadas, preservando suprimentos e mão de obra.

O que tornou o processo ainda mais complicado foi que as equipes que estacionavam e armazenavam os aviões estavam fazendo isso durante uma pandemia. A maioria do pessoal de Operações Técnicas esteve entre diferentes instalações de armazenamento por períodos de um longo fim de semana a um mês, enquanto restaurantes foram fechados em todo o país.

Bob Warde, aquele funcionário que oficialmente era inspetor líder de Pré-Voo, agora agia não apenas como mecânico-chefe, mas também como chef do grupo. Ele obteve permissão do hotel onde o time de Operações Técnicas se hospedava para usar a cozinha que estava fechada devido à COVID-19, na qual planejava e preparava as refeições para a equipe depois do trabalho.

Bob fazia a comida, mas todos trabalhavam juntos para limpar depois.

Os funcionários também estavam lidando com protocolos de segurança e limpeza em constante mudança. Desenvolvedor de instrutores da Associação para Tecnologia de Fabricação (AMT, na sigla em inglês), Doy Pope fez uma temporada de 22 dias em Victorville durante a pandemia e recorda a adaptação ao protocolo de COVID-19.

“Estávamos usando máscara na chuva, fazendo isso um pelo outro no trabalho, mas também não queríamos levar nenhum perigo na volta para nossas famílias”, rememorou Doy.

aviões da Delta na pandemia

Aviões da Delta na pandemia estacionados nos hangares

REATIVANDO A FROTA

Os sacrifícios e a dedicação do pessoal de Operações Técnicas durante o processo de estacionamento ajudaram a Delta a economizar dinheiro enquanto os passageiros ficavam em casa e as receitas diminuíam. Então, conforme as taxas de vacinação aumentaram e os clientes começaram a retomar o ânimo para viajar, era hora de colocar os aviões em operação novamente.

“Fiquei exultante quando soube que estávamos reativando a frota”, disse o desenvolvedor de instrutores da AMT, Doy Pope. “A Delta não traria esses aviões de volta a menos que víssemos a luz no fim do túnel”.

Assim como não foi fácil estacionar e guardar as aeronaves, reativar a frota trouxe seus próprios desafios. “Assim que começamos a guardar os aviões, também ficamos pensando em quando os tiraríamos de lá”, disse o gerente do Programa de Operações de Fornecedores, Chris Price. “Quer durasse um ou seis meses, estávamos analisando o que seria necessário para reativá-los”.

Muitas das aeronaves armazenadas tiveram suas peças compartilhadas para ajudar nos reparos das que ainda estavam em serviço. Assim, um avião precisava obter novas peças antes que pudesse voltar à ativa, comentou Chris. Uma vez que tivesse essas peças de volta, seus sistemas precisariam ser ativados e revisados, e a aeronave ainda teria de passar por um voo de teste antes de seguir para uma instalação de MRO (sigla para Maintenance Repair and Overhaul, ou Manutenção, Reparos e Operações, em português) para uma revisão de manutenção.

Depois de mais essa etapa concluída, uma equipe de pilotos chega para retirar o avião do depósito que foi sua casa por até um ano e meio.

“Quando começamos a estacionar os aviões, as instalações de armazenamento continuavam se enchendo com mais e mais aeronaves”, disse o piloto chefe de Verificação de Linha, capitão Woflgang Schuster. “Agora estamos fazendo voos de reativação e é gratificante ver as instalações de armazenamento começando a se esvaziar. Cada avião que retorna ao serviço está nos ajudando a cumprir nossa missão de conectar o mundo. E estamos chegando lá”.

O gerente geral de Operações de Fornecedores, Ted Lamoureux, ficou impressionado com a rapidez com que a equipe se adaptou às novas circunstâncias trazidas pela pandemia. Até o momento, um total de 493 aeronaves voltaram à ativa, 382 em 2020 e 111 em 2021. Mas o trabalho continua, uma vez que a equipe espera reativar aeronaves até 2022.

“Todos agiram muito rapidamente e a colaboração entre todos os departamentos em qualquer local ao mesmo tempo foi incrível de se ver”, disse Ted. “Você podia estar trabalhando em um time composto por manutenção de linha, treinamento, manutenção de base, manutenção de instalações locais. Aqui temos equipes conglomeradas que foram montadas e todos trabalharam juntos para superar os tempos difíceis”.

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